terça-feira, 27 de julho de 2010

Os invisíveis

Eu tenho uma pulseira que tem 15 corações, ela deve sofrer tanto, eu que só tenho um já não agüento mais. Mas eu não sei como é ter 15 corações, talvez seja legal, enquanto um está sofrendo por um amor platônico o outro deve estar no ápice de um grande romance. Pensando bem, apesar dos sofrimentos, é legal gostar de alguém, tem que ter algo de bom nessa droga toda. Minha médica me perguntou se eu tinha um namorado, logicamente eu falei que não, ela me disse que eu deveria pensar muito antes de começar um relacionamento. Ela falou isso de uma maneira sutil e em menos de 30 segundos, mas eu já sabia, eu sabia como seria e que eu não poderia. Mas não é uma coisa que acontecerá.

Alguém que enxerga pessoas invisíveis hoje em dia é muito difícil, as pessoas se interessam pela gostosa do bairro, pelo playboy da faculdade, pelos cartões de crédito, pelos decotes e saias curtas... Por que as pessoas dão tanta importância à beleza e ao dinheiro? God, sem hipocrisia, eu não ligo a mínima se vou ser rica ou se vou casar com o cara mais bonito. Quero mais é um magrelo, meio esquisito, barbudo, que se apaixone por mim sem os decotes, que queira ter 4 babies, que goste de ouvir Ryan Adams aos domingos, que me acorde cantando músicas do Elliott Smith, que ache graça das minhas piadas repetidas, que ache sexy os meus versos tristes em inglês, que seja simples, que me aceite com tudo que eu sou e tenho. Se eu tivesse falado isso pra ela, provavelmente ela saberia que eu passarei muito tempo sozinha. Eu quero mais é alguém que passe despercebido, pra mim a graça está exatamente nesse ponto, conseguir ver em alguém o que ninguém mais vê. Quem sabe um dia.

Já estou ficando com medo, acho que to com depressão novamente, depois de quase dois anos, isso ta me incomodando e vou dar um jeito de resolver esse problema, e me pergunto o que seria de mim sem a Vanessa. Ela ainda é a única pessoa com quem eu consigo conversar, mesmo evitando encher o saco, pois sei que ela também tem problemas. Mas é que ando tão confusa, tão confusa que às vezes eu simplesmente paro de sentir, já falei pra Vanessa que eu tenho medo de parar de sentir pra sempre, parar de chorar, de falar, de querer encontrar o meu amor invisível, tenho medo de morrer por dentro. Ainda sou nova pra isso, é o que dizem. Mas como disse Jeff Buckley ‘Jovem demais pra esperar e velho demais pra jogar tudo pro alto e fugir’. Eu me dei um tempo de 2 anos, se passaram 4 meses, mas esse tipo de coisa não se planeja, mas eu planejo porque eu gosto de sofrer. São 03:29 do dia 27, lerei um pouco e vou ver uns episódios da 7ª temporada de FRIENDS antes de voltar ao que eu chamo de inferno. Estou perdida e não sei mais o que fazer, mas um leve sorriso sai do meu rosto quando lembro que nunca é tarde demais.

Ah, Vanessa, você é a pessoa invisível mais brilhante que eu conheço. Obrigada por nunca me deixar desistir.

domingo, 11 de julho de 2010

Cotas, sim!

Algum tempo atrás entrei numa discussão sobre COTAS numa comunidade do orkut, a maioria era Contra, eu A FAVOR. Aqui está uma parte do que aconteceu por lá.

Sou a favor por motivos óbvios: 1º) Inclusão social; 2º) Tratar com desigualdade o desigual; 3º) Dívida histórica!
As cotas servem para começar a diminuir a desigualdade racial que ocorre por herança do sistema escravocrata (e não me venha com hipocrisia dizendo que não existe racismo por conta disso). O nível da escola pública tem que melhorar, lógico, mas até quando os negros e pobres em geral terão que esperar por isso?
Aí me vem "você" falando que conhece o "Joãozinho", aquele que estudou na escola pública e teve muita força de vontade, depois do 5º vestibular ele passou pra medicina, ele sim é um exemplo... E eu digo, é um exemplo e uma EXCEÇÃO!
E o que aconteceu com o resto dos coleguinhas do Joãozinho? Ah, você me diz que eles não têm força de vontade. Eu te afirmo que eles não têm oportunidade. As cotas estão aí pra isso, pra dar oportunidade aos menos favorecidos. Tá achando ruim? E o tempo que o pobre não conseguia entrar na universidade? E durante esse tempo todo que não tiveram oportunidades porque só quem entrava na universidade era quem estudava em ótimas escolas, quem estava preparado? Acho que ninguém lembra disso! É engraçado como os anti-cotas sempre tem um exemplo desses pra contar, sempre dizem: ‘é só se esforçar’, então, se estão mandando os outros se esforçarem, se esforce você agora. E se for só motivo de esforço então quer dizer que os negros e pobres são preguiçosos? Numa turma de 40 alunos por que somente 3 ou 4 são negros? O resto dos negros é preguiçoso? É isso?

Dizer que cotas aumenta o preconceito e que é tapar o sol com a peneira é tão infantil quanto perguntar se negros tem menos capacidade. O que está em foco é a injustiça que ocorre até hoje, é o preconceito e a exclusão social que muitos fingem não ver ou não se importar.

Cota não é discriminação, discriminação é ter que ouvir piadas e ser excluído socialmente/naturalmente pela cor da pele. Mas se for uma discriminação, que mais discriminações como essa aconteçam sempre. Se você se acha injustiçado pense em toda uma raça que sofreu e sofre até hoje, e isso nem é papo de coitadista, é que dói ver as pessoas não enxergam o óbvio, dói ver alguém com grande inteligência e potencial tendo que ser escravo da elite por pura falta de oportunidade.

Dizer que as cotas racias são discriminatórias é tão primário... Singelo argumento de quem não faz o mínimo esforço pra enxergar um palmo adiante do próprio nariz.

O mais engraçado é que eu nunca vi tantos "Brancos" envolvidos na causa do preconceito/desigualdade como agora, com as cotas. Por que será?

Mais um ponto de vista a favor das cotas


sexta-feira, 9 de julho de 2010

No need to worry

I am not your problem, I’m not even a problem
I am not going after you, I know not where you are
No need to run away, I am not around you
No need of excuses, I am not asking for
If you want the summer, I shall be the winter
If you want February, I shall be September
It’s not me the one you’ll have to lie
It’s not me the one you’ll have to fall in love
I shall not talk to you, I have not words anymore
I shall not think of you, I would not dare
Don’t worry, it is not me the weight you’ll have on your shoulders
Don’t worry, baby, you won’t want to know me

I also shall not worry, because someday you’ll know what you missed

But I will go after someone, I will go to be around someone
I will ask for excuses, I will be the summer, I will be February
I will be the one listening to someone’s lie
I will be the love of someone’s life
I will talk some pretty words
I will think about someone
I will be everything, I will do anything
For someone who knows what worth for
For someone who will want to know me for me

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Deus novamente

Na segunda eu recebi de volta uma prova que eu tinha feito de Reading, eu nem lembrava mais que eu tinha feito. Tinha uma questão que era pra fazer uma redação sobre o que eu quisesse. Quando peguei de volta a prova tinha uma mensagem da minha professora dizendo que tinha adorado o texto e que eu me expressei da melhor maneira possível, isso me fez imaginar que talvez eu não escreva tão mal assim, o tema foi meio clichê, mas era só uma questão de prova, nada muito pensado naquele momento, mas que me fez pensar muito agora. Fico imaginando se algum dia eu terei coragem de dizer pra minha família e amigos que eu sou atéia, alguns já sabem, mas tem aquela coisa de não poder me expressar muito a respeito, apesar de que pra mim tanto faz e que eu acho melhor não procurar confusão a respeito disso e é claro que é muito mais cômodo e simples agir com fé e esperança. Ser ateu é uma coisa mais crua, lógica, mas não significa que é sem sentimento. Isso me lembrou uma coisa que eu ouvi de uma grande amiga quando eu descobri que tava doente, eu fiquei desesperada e fiquei sem falar por uma semana (digo, só falava o básico), esse é o meu problema, quando eu mais preciso falar e chorar eu simplesmente calo, e ela veio com um discurso chato, mas que fez efeito, ela disse que eu não deveria perguntar pra Deus o porquê daquilo tudo, pois Deus só fez aquilo pro meu crescimento pessoal e porque sabia que eu iria superar, disse também pra eu pensar nas pessoas ao meu redor que estavam sentindo falta da pessoa que eu era. Depois disso eu meio que voltei ao normal, pelo menos fingi. Às vezes eu não sei se é muito egoísmo ficar sofrendo enquanto tem gente morrendo de fome, crianças nascendo doentes e pessoas levando tiros na guerra, ou se eu tenho esse direito de ficar triste, sem falar, sem pensar, eu não sei, até gostaria de saber. Dentro de todos esses pensamentos deveria ter espaço pra fé, até tem espaço, mas só falta Deus.

O texto é sobre religião, nada explícito em relação ao ateísmo, é mais focado na religião. O inglês ta meio fraco, é bom que facilita o entendimento, mas qualquer coisa tem o Google.


When I Don't Believe


Most of people have a religion or faith in God. It’s usual to see people talking about the Bible or some God’s rules to follow, but we rarely see them reflecting upon the injustice from heaven above. Why it seems so offensive?

It’s easy people coming knocking out our door to speak good things about religion. Why they don’t explain the injustice, war, illnesses, and also the ugly world ruled by God? It hurts to think the reason God is so good to ones and bad to others.

We always listen to those people saying: “God is so good to me, I am so happy”, but those same people don’t even ask why the Lord does not finish the pain and suffering of the rest of the world. They should come us with a speech explaining that the faith helps us with problems, that believing God could become life a little easier, explaining that religion could help us to understand all the tragedies and cruelties of this place called Earth.

So while they do not admit God may be not so perfect and also that we live in a hell and religion is here to help us in this point, I don’t believe in churches, religions or things like that.



domingo, 4 de julho de 2010

Cansada

...de bater na mesma tecla, pensar que vai dar certo, de esperar, de dormir, de achar, de estar com as portas abertas, de certas pessoas, de certas atitudes, de esperar ligações, mensagens, do cansaço, de não ter mais o que fazer, de não escrever mais, dos problemas, de indecisão, das dores, da minha incapacidade, de me sentir inútil algumas vezes, dos dias quando estão cinza, de tentar e tentar e tentar, de falar, de não poder fazer nada, de você, de alugar meus amigos, da sua voz cansada, do seu desprezo, da sua indecisão, sua falta de interesse, dos seus amores, do meu ciúme, dos problemas, dos meus pensamentos, de sair, de perguntas sem respostas, dos meus medos, do mundo, do egocentrismo, dos maus tratos, das pessoas, da desumanidade, dos teus gritos, das suas comparações, das suas ordens, das brigas, de viver, de morrer, de pensar e às vezes, até de sonhar...




texto de autor desconhecido, mas com uma pequena modificação minha.