sábado, 24 de agosto de 2013

Não conto pra ninguém

Se abraçar com o encanto da melancolia pode parecer confortável
Ensaiei todas as palavras baixas para te dar consciência de quem tu és
Perdi tempo e madrugadas me questionando e acreditando em teu valor
Quis te presentear com todas as minhas qualidades e me doei mais do que fui

E quando chego na boemia procuro teu rosto
Quando te esbarro gargalho em alto volume
Quero que penses que sou feliz sem ti
Quando te falo pareço um iceberg, para que acredites que te superei

Não quero nunca causar a alguém o mal que me fez
Eu queria que tu observasses tudo que te fiz por amor
Mas não quero que descubra que eu me afogo em minhas lágrimas
Lágrimas essas que cultivam o meu amor e rancor
Eu queria poder falar tudo que posso sobre as feridas que deixou em minha alma
E lamento minhas palavras fracas
Elas não tem talento para expressar gentilmente o meu penar

Você é mau, me despreza e assombra
E, nem ao menos, quer saber se ainda respiro e existo
Ainda tem algo em mim

E eu mudo de amigos, troco de profissão, vou embora
Começo a ouvir hip hop, engano as pessoas, emagreço
Procuro uma nova ideologia, vivo a mesma rotina por anos, coleciono ressacas
E até desfruto de momentos de verdadeira felicidade
Mas, também descubro que não existe remédio que me faça esquecer seu rosto

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Pele Escura

E eu procuro te aplicar na minha pele escura
Na imensidão do que mostro ser eu
Enquanto derreto toda essa amargura
Na pobreza das chulas palavras para expor o amor meu

Vá, enquanto junto meus pedaços
Fique e me presenteie com seus abraços
Fale, soletre tudo de joelho
Escreva todo nosso destino de vermelho

E eu me canso e choro lembrando do último Abril
Como um trabalhador que todo o dia labutou
Com o corpo são e a alma febril
De como alguém que dançou, sorriu e amou

E eu deliro neste momento de lamento
E desmorono em plena solidão
Venha me declarar todo o seu tormento
E eu cantarei a ilusão na sua canção

Vá, e me vestirei no abandono
Ou fique, e me acalente neste infinito sono