quarta-feira, 30 de junho de 2010

I'm Ok

São 00:48 do dia 30 de Junho, mais tarde eu tenho que estar no hospital novamente. Eu já tô num desespero, mas eu tô falando em desespero de verdade, acho que ninguém imagina como pra mim é um terror começar essa nova temporada de hospital, minha mãe passou a noite me enchendo o saco porque eu ando com náuseas, fica insistindo o tempo todo pra eu ir ao médico, acho que nem passa pela cabeça dela que eu tô cansada disso tudo, eu passaria o resto da vida com náusea se não tivesse que voltar naquele inferno.
Mas o motivo não é o enjôo. Me pergunto até quando eu vou agüentar. Eu choro tanto que às vezes penso que vou morrer, o pior são as pessoas falando as besteiras de sempre, parece até que eu não tenho o direito de estar revoltada com tudo isso.
Mas o que mais tem me feito chorar são os pensamentos a respeito do meu pai. Eu não falo sobre isso com ninguém, ninguém imagina o quanto eu o odeio, como eu quero que ele morra, como eu queria que ele não tivesse nenhuma ligação comigo. Ele é a pessoa mais suja e covarde do universo, e eu queria encher a cara dele de porrada, queria que ele soubesse como eu o odeio por tudo que ele me fez sentir todo esse tempo. Ele fez eu me sentir culpada por ter nascido, me fez pensar que eu sou o motivo da infelicidade de muita gente, fez eu me sentir um peso na vida das pessoas que me amam, por isso e tudo mais que ele me fez eu nunca vou perdoar. Eu sei que ele não se importa com o que eu penso, sei que pra ele eu sou mais uma pessoa no mundo, não sou filha dele, sei disso pelo modo que ele agiu a vida inteira, é muito claro perceber que ele nunca me amou. Eu queria muito poder afirmar que eu nunca senti a falta dele, que minha vida foi normal apesar de tudo, mas não foi, já tive depressão por causa disso, já me senti um lixo, já cheguei a imaginar que se nem mesmo o meu pai me amava, ninguém iria me querer por perto. Ele mudou minha vida por completo, me fez uma pessoa insegura, fraca e boba, mas ele nunca terá a oportunidade de saber que apesar disso eu sou uma pessoa boa, simples e muito diferente dele, pois tenho dignidade e valores, coisas que ele não sabe o que significam.
Eu não quero nada que venha dele, nem mesmo um pedido de desculpa, só quero me manter distante, muita força pra superar e talvez esquecer tudo isso, pelo menos poder viver em paz.
Agora voltarei pra cama pra tentar dormir um pouco, pois mais tarde começa a rotina de novo.

2 comentários:

  1. Por um momento tive a impressão que só meu pai fosse assim, mas não é bem como pensei! Fato é Rafa que vc não está só nessa... beijos

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  2. Valeu pelo comentário, Anônimo! Que tudo melhore pra gente nesse ponto.

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